Para um evento de poucas estrelas e de ingressos salgado, este UFC até que surpreendeu. Para quem esperava lutas chatas e sem emoção, até que o evento foi bem agitado!
Não esperava muita coisa de uma luta entre o Vitor Belfort e Michael Bisping. O brasileiro, apesar de ser bom lutador, consegue desanimar até festa de criança no McDonalds com suas declarações.
Bisping começou a provocar, e Belfort o chamou de hooligan. Quando perguntado, disse que na verdade, hooligan era um elogio, porque o inglês era raçudo, bom de briga! Pára, né! Não há como hooligan ser um elogio! Vitor muitas vezes, buscando pagar de bom moço, lutador brilhante e de brother do UFC e do patrão Dana White, perde a oportunidade de ficar calado.
Desde os primórdios das artes marciais, a provocação, os xingamentos são uma forma de provocar os adversários. E vamos falar sério. Chamar Michael Bisping de hooligan (e depois retificar o dito) foi pior que chamá-lo de bobão.
Michael no entanto não parou. Disse que Vitor não tinha gás, que não aguentaria até o terceiro round. Que Belfort seria um saco de pancadas ambulante. Bisping certamente sabia da pouca atratividade deste combate e começou o jogo de palavras para botar lenha na fogueira. O problema é que ele esqueceu a hora de parar. Falou que Belfort, que já não respondia mais às provocações, tinha pernas de gazela, provocou-o na coletiva de imprensa, deu uma de nervosinho na hora da encarada, chamou Vitor para encará-lo de perto após a pesagem. Tenho a impressão de que isto deixou Vitor mordido, mas ao mesmo tempo receoso. Será que Bisping realmente o faria de saco de pancadas?
No combate, ambos iniciaram cuidadosos, buscando estudar-se e timidamente soltaram alguns golpes. Bisping estava acertando golpes melhores. Belfort soltou alguns golpes tímidos, mas com pouca efetividade. O round terminou, com o que considero um empate.
O fato é que Bisping é um lutador que está sempre próximo às cabeças, mas ele não possui pungência para vencer seus limites. Habilidoso na luta, lhe falta potência em seus golpes. Bisping é o famoso "mãozinha de algodão", que bate, bate, mas não nocauteia.
Toda vez que Bisping luta com um lutador de elite, apanha. Basta nos lembrarmos do nocaute destruidor que sofreu de Dan Henderson, um dos nocautes mais brutais da história do UFC. Não seria diferente esta luta. Vitor, apesar de piegas, é um lutador de elite. Nocauteador, rápido, dono de um boxe apurado, dono de um jiu-jitsu eficiente e de uma boa defesa de quedas.
Em um raro momento de consciência, Bisping elogiou o boxe de Belfort e disse que o boxe de Belfort era sua única arma. Se enganou.
No início do segundo round, após trocarem alguns golpes tímidos, Belfort conseguiu sangrar o nariz de Bisping com um soco. Passados mais alguns segundos, aquela bela canelada na fonte e mais alguns socos foram suficientes para arrebatar o inglês bom de garganta do mundo da fantasia para o mundo real.
Belfort surpreendeu. Talvez nem seus treinadores achassem que ele ganharia aquela luta com um chute. Mas como eu disse: Belfort é um lutador de elite e ainda está evoluindo em seu jogo. As derrotas para Anderson Silva e Jon Jones certamente foram duas grandes aulas para o "Fenômeno". Outro lampejo de brilhantismo assim, visto, foi em sua luta no UFC 43 contra Marvin Eastman, com o cabelo desgrenhado e feição de maluco, Belfort despachou Eastman com uma saraivada de joelhadas. Talvez este moicano tenha lhe feito bem.
Em minha opinião, este foi o maior serviço que Belfort prestou ao MMA e ao UFC. Permitir que Bisping duelasse com Anderson Silva seria um crime. Anderson já provou o que tinha que provar e não vai se importar de enfrentar 6 ou 7 galinhas mortas para terminar seu reinado invicto no UFC. Ainda mais falando-se do apelo que haveria junto aos torcedores ingleses e europeus esta disputa e os rolos de dinheiro que iriam direto para o bolso do aranha. Anderson Silva não quer só vencer. Ele quer vencer e lucrar. Não me importo se o Aranha lucrar 1 bilhão por luta, mas queremos vê-lo lutar com os melhores.
Apesar de não querer Anderson Silva neste momento, Belfort despachou Bisping para o fundo da fila, prestando um serviço aos fãs de boas lutas.
Acredito que em breve, veremos Vitor Belfort x Chael Sonnen, assim que Jon Jones fizer o falastrão engolir seus próprios dentes.
Obrigado, Belfort, por dificultar a vida de Anderson Silva, mesmo que indiretamente.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Análise - Junior Cigano x Cain Velasquez
Difícil definir o sentimento após o final desta luta.
No primeiro minuto, era claro quem brilharia ao final e quem restaria desacordado sobre o octógono. Ah! Como tudo poderia se resumir àquele minuto! Mas esse precioso minuto passou e o desfecho mudou completamente. Os 24 minutos restantes desta batalha foram agoniantes!
Na verdade, foram duas batalhas. De um lado, Cain Velasquez, batalhando para impor sua vontade e tombar o campeão aos seus pés, e do outro lado, um campeão batalhando para não tombar aos pés do seu desafiante.
No primeiro minuto, Cigano mostrou que não estava para ser quedado e Velasquez mostrou que faria de tudo para levar o campeão para o chão. Foram quatro ou cinco quedas totalmente frustradas por Cigano, um Velasquez frustrado começava a aparecer, mas eis que o campeão foi embora, pelo menos em espírito, daquele octógono.
Junior Cigano é o melhor e mais potente boxeador do MMA mundial. Cigano poderia ser campeão de eventos como o K1 sem desferir um chute ou uma joelhada sequer.
Dono de socos velozes, dotados de precisão cirúrgica e uma patada que poderia derrubar um rinoceronte, o campeão simplesmente deixou de lado todas as ferramentas que possuía para liquidar aquela fatura. Ao final, falou que lhe faltou estratégia. Que estratégia? A estratégia de Junior Cigano é uma só: manter-se em pé para desmantelar seu oponente! Foi assim que ele chegou ao topo e era assim que ele deveria se manter nele!
Ouvi ainda que a estratégia do desafiante era muito boa. Mas quem não sabia que Cain Velasquez não utilizaria aquela estratégia? Era óbvio que o Velasquez tentaria levar Cigano para o chão e buscaria encurtar a distância, buscando impedir que o campeão soltasse a mão!
Cigano que me desculpe, mas o destino daquela luta estava traçado! Ao final, Cain Velasquez deveria restar dormindo com os olhos arregalados, no chão enquanto Cigano teria seu braço erguido! Mas algo aconteceu e a vontade de vencer fugiu do campeão, sendo substituida por uma dolorida vontade de não ser nocauteado.
Cain venceu aquela luta, não porque é melhor que Cigano, mas porque aquele que vimos lutar aquele dia, não foi o Junior Cigano. O Junior Cigano que conhecemos tem o Olho de Tigre, diferente daquele lutador que se apequenou diante do seu adversário; o Junior Cigano que conhecemos bate, e não apanha; o Junior Cigano que conhecemos nocauteia, e não luta para não ser nocauteado.
O que parecia impossível aconteceu e Cain venceu Cigano dentro do seu próprio jogo. Foi surrado durante 5 rounds sem esboçar uma reação. Diante disto, vi que Cain não é metade do lutador que Junior Cigano é. Cigano aguentou um castigo que ser humano nenhum aguentaria, durante 25 minutos. No primeiro encontro entre os dois, o castigo mal começou e Velasquez sucumbiu.
Acredito que Cigano reencontrará seu caminho até o dia em que ele se encontrará com seu algoz pela terceira vez. Uma vitória pode ensinar muita coisa, mas uma derrota pode ensinar ainda mais. Quando isto acontecer, espero que ele tenha reencontrado a garra que lhe fugiu no dia 29. Se isto acontecer, veremos Velasquez dormindo de olhos arregalados e Cigano levantando o cinturão novamente!
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