As vezes é impressionante como um UFC que tem lutas pouco atrativas pode tornar-se um evento eletrizante. Certamente, acho que foi o caso deste!
Chris Leben contra Mark Muñoz de longe seria uma luta de impressionar, mesmo diante das qualidades de ambos lutadores.
É engraçado, mas se me pedissem para definir Chris Leben em uma palavra, eu o definiria como um zumbi. Naqueles filmes ou seriados de zumbis, vemos os zumbis levarem tiros, terem membros decepados, mas eles só morrem quando atiram em suas cabeças.
Chris Leben é uma máquina de levar pancadas. Apanha, apanha e apanha e continua indo para a frente. Com a força necessária para definir a luta a qualquer momento. Apenas duas pessoas passaram por Chris Leben alheias a esta sua potência, são elas: Anderson Silva e Brian Stann. Que o nocautearam como se ele fosse um amador.
Anderson Silva tem uma vantagem natural contra qualquer ser humano que caminha sobre este planeta, então ele não conta. Mas Brian Stann tem C4 em seus punhos. Me enche os olhos uma luta entre ele e Vitor Belfort. Mas como o assunto aqui é o UFC 138, não vou divagar.
Mark Muñoz lutou de igual com Leben. Trocaram socos, mas Mark foi inteligente, botou Chris Leben para baixo. Mas Mark não passou incólume pelos socos do adversário. Chegou a balançar mas seguiu em frente. Dominou a luta, acertou um belo soco em Leben no chão, e começou a definir a luta a partir daí. Leben passou a sangrar em seu supercílio e a luta acabou por interrupção médica ao final do round 2.
Mark Munoz é um lutador interessante, mas em minha opinião, está longe de ser um top 5 da categoria. Uma luta sua com Anderson Silva seria algo extremamente previsível. E no MMA, não queremos o previsível.
Na segunda luta da noite, um belo duelo entre Renan Barão e o inglês Brad "One Punch" Picket.
A luta começou quente. O couro comeu para os dois lados. Quando a poeira baixou, o inglês passou a buscar o nocaute, enquanto Barão passou a ser mais estratégico. Os socos continuaram fluindo, Renan tentou por algumas vezes levar o inglês para o chão. Aos quatro minutos do round 1, Renan acertou uma bela joelhada no queixo de Brad Picket, que balançou e caiu. Renan acertou uma bela combinação de socos no inglês até o momento em que o árbitro parou a luta.
Renan Barão ascende em sua busca pelo cinturão dos galos. Quem sabe em breve o veremos enfrentar Dominick Cruz.
Dedé Pederneiras novamente mostra porque a Nova União é uma das mais promissoras equipes no MMA mundial.
Na luta anterior, Thiago Alves contra Papy Abedi.
Para ser sincero, achei que Thiago Alves iria perder para Abedi. Desde que perdeu para Georges St. Pierre, ele passou a canibalizar suas maiores qualidades. Dono de chutes e joelhadas devastadoras, parou de chutar e dar joelhadas. Com um bom jiu-jitsu, pouco fez para se defender quando foi colocado para baixo. Vimos isto em suas lutas contra Rick Story e sua segunda peleja contra Jon Fitch.
Entre estas duas lutas, venceu de forma pouco expressiva o lutador Jon Howard.
Em sua luta contra Papy Abedi, lampejos do antigo Thiago. Poucos chutes, mas eles vieram. Um estilo de luta mais inteligente e agressivo que lembrou o antigo Pit Bull.
Trocar socos de igual para igual com Thiago não é uma decisão inteligente. Abedi caiu no primeiro round.
Thiago ainda pode voltar a trilhar o caminho do cinturão, mas terá que voltar a ser o antigo Thiago: um lutador completo e não um simples boxeador. Suas performances contra Matt Hughes e Josh Koscheck nos remetem aos tempos áureos do lutador.
Thiago também precisa aprender a não ser derrubado com tamanha facilidade. Defender-se do wrestling dos americanos é algo vital para seu jogo.
O UFC 138 foi um evento que agradou!
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